<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965</atom:id><lastBuildDate>Sat, 19 Sep 2009 15:38:26 +0000</lastBuildDate><title>textura incidental</title><description></description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (de Castro)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-8369238334457689923</guid><pubDate>Fri, 11 Sep 2009 19:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-16T22:00:40.906-03:00</atom:updated><title>A Invenção do Passado</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Um livro vale mais pelos caminhos que abre dentro de nós do que pelo seu enredo e desfecho. Vale mais pela interferência, pela pergunta que nele nos provoca e nos modifica e que dela faz com que derivemos para outro lugar. Nem sempre damos às inquietações propostas pelo autor a mesma resposta do seu personagem. O personagem leitor é outro, nós somos atingidos de forma diferente do personagem ficcional. É dessa forma que a problemática de se reinventar um passado, de se criar um passado, exposta no livro &lt;em&gt;O vendedor de passados&lt;/em&gt; do Angolano, José Eduardo Agualusa, me afetou de forma totalmente diversa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para se querer um novo passado há-de se ter um passado odioso do qual não se deseja lembrar. Ou que ele seja insosso o suficiente para se desprezar todas as memórias. É o que fazem os personagens do romance quando pedem a Félix Ventura que invente um passado novo no qual se possa acreditar. São aqueles que precisam do passado, de uma reputação de nome, e que não souberam fazê-lo. Félix Ventura os dá. Mas até que ponto esse novo passado começa a influenciar a vida presente é que é a grande questão proposta no romance e que a vemos ser narrada através do olhar inusitado de uma osga (lagartixa incomum) que habita a casa de Ventura. A osga, personagem com reminiscência Kafkiana, parente próximo talvez de Odradek, vê com o seu olhar noturno José Buchmann apropriar-se do seu passado comprado com tal empenho e veemência que ele mesmo se modifica. O andar, o humor, a vestimenta, tudo muda quando ele se empenha em dar vida e tornar crível o passado. José Buchmann vai com tal empenho em busca do seu novo passado que quase o torna real, não pela descoberta do que pode ou não ser verdade na invenção, mas pela crença da reinvenção de si.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que ponto somos modificado por aquilo que fomos? Até que limite somos trancafiados na memória-invenção de nossa história? É nessa perspectiva que o romance nos dá a sua contribuição. Agualusa nos dá uma realidade que é modificado constantemente pela força do sonho e da memória. A memória e o sonho se relacionam com grande intimidade trocando fluídos entre si e entre a realidade. Buchmann sonha com a osga que o sonha e no sonho comum a realidade parece ser mais real. A força do sonho é tão grande quanto a da memória. E nós sabemos como o sonho participa da realidade, modificando-a, fazendo com que nós busquemos o que foi sonhado. Agualusa quer que sejamos modificados pela força da memória, que sejamos atingidos da mesma forma que no sonho. O que está em jogo é também a certeza do que lembramos. Será que temos a total certeza do que a nossa memória nos dá? Será que também não inventamos para nós mesmos memórias que com o passar do tempo torna-se mais real que o próprio passado? O sonho pode ser feito de memória da mesma forma que a memória pode ser feita de sonho. Da mesma forma, o mundo objetivo das coisas é afetado pela nossa subjetividade. E quem é que poderá dizer que a objetividade é mais real que a subjetividade? Quantas vezes nos pegamos em sonhos de vigília, em subjetivações, em pensamentos, que no ato é bem mais real que tudo o mais que está a nossa volta? Às vezes, temos a impressão de que só o subjetivo da à realidade a verdadeira parcela de objetividade, não? Por isso, Agualusa intercala os capítulos intitulados &lt;em&gt;Sonhos, &lt;/em&gt;e cada vez mais vemos tudo se embaralhar, conversas reais dentro de sonhos, percepções que feitas no sonho são dadas como verdadeiras na realidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá pelas tantas, José Buchmann diz: "Félix Ventura diz que acredita em tudo quanto parece impossível - e que é por isso que acredita em si..." Agualusa nos impõe um grande desejo: a capacidade de reinventarmos o nosso presente, o nosso passado e o nosso futuro, com a força do impossível. A memória e o sonho são coisas impossíveis, mas tão reais quanto a realidade, que às vezes de tão possível, carece de realidade. Como diz José Buchmann: "A verdade é improvável. Se fosse exacta não seria humana." Agualusa nos convida a participar um pouco mais da realidade através de nosso sonho e de nossa memória. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-8369238334457689923?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2009/09/invencao-do-passado.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-6926362652242355997</guid><pubDate>Tue, 18 Aug 2009 23:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-18T22:07:48.297-03:00</atom:updated><title>Hiato</title><description>Meses sem uma única palavra, sem um único texto. Tenho que ser justo e me retratar antes de pensar em escrever algo mais por aqui. Claro que escreverei mais aqui. Mas antes, devo àqueles que me leem. Quem? Não sei. Muitos? Duvido. Poucos? Sim, mas sinceros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabemos como começamos ou paramos de fazer algo. Talvez o nascido já habitasse, muito que certamente, antes de irromper em parto. Parto de qualquer espécie. O que matura já se exercita no não percebido. Da mesmo forma o que interrompe. A inércia se quantifica em pontos tão inérticos como ela. E de repente, quando a coisa se torna grande demais nos damos conta e ai, para aqueles que não estavam tão atentos, a mudança se faz ali, inadvertidamente. Mas não, a mudança é o que consiste em estar presente. Ela já habitava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilles Deleuze já dizia para prestarmos atenção aos buracos de nossa vida....é geralmente lá que as coisas acontecem. Mas no meu caso, não estive em buraco nenhum. Ou melhor, estive, mas não na forma corriqueira da clausura. O buraco é no sentido temporal, um hiato que se faz, de tempo, onde começamos a perceber tudo diferente. Na verdade saí do buraco e irrompi com um outro olhar para a vida. Na verdade o que mudou foi a minha relação com as coisas, entre as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também tem o seguinte: quando encontramos o que buscamos deixamos de forjar uma personalidade que existia exatamante para conquistar o que não havia.Não, isso está longe da falsidade. É como alguém que cria um objeto para se libertar e poder voar com as próprias pernas, compreende? E quanta coisa colocamos em nós mesmo, quantos gostos e ideias fabricamos, quantas aptidões adiquirimos, para suprir a necessidade do que realmente queremos. E será que somos o que somos como fim de nós mesmos ou será que somos para querer ser sempre outra coisa? E sabemos o que realmente nos afeta nessa vida? Ou o que nos afeta gira e se transforma porque o que realmente queremos que nos afete não nos afeta? Ta é ficando confuso esse texto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico: Sei o que me afeta. Sei o que sempre me afetou durante toda a vida. O amor. Ponto. Sem romatismo em demasia, viu? Até eu descobrir isso também demorou. E não é que só fui descobrir que o amor real não só não precisa de idealização romântica, como também o supera, no momento em que vivi e descobri o amor. Estou vivendo. E estou numa fase de muita mudança onde preciso me adaptar também àquilo que sempre desejei - e me adaptar também ao mundo real que vem através dele. Sim, sempre fui muito ensimesmado, e talvez os livros e a filosofia surgiram como arma para escapar e (ou) lutar contra a ausência do que me faltava. Sei lá, acho que no passado excedi em alguma coisa. Uma radicalidade com a vida desnecessária. Com o amor vem uma coisa chamada responsabilidade. E descobri no meio dessa responsabilidade que a prática é ótima, que ela é o que legitima tudo. Pode ser um paradoxo para quem faz filosofia e vive no mundo abstrato das ideias. Mas não é. A prática é o fundamento também da filosofia. É o que nos faz real e terrenos e não seres abestalhados olhando para o céu e seus paradoxos. A prática nunca foi tão saudável e louvável! Sim, um brinde à prática das ideias! E os ensinamentos da própria prática também são louváveis e tem um gostinho especial que nenhum teórico ensimesmado sentirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que no meio desse turbilhão de circunstâncias vem um monte de medos e dúvidas. Mas prefiro estas. Estou me sentindo muito mais real. Muito mais em comunhão com vida, muito mais filósofo também por causa disso. Filosofar é encontrar a harmonia e comunhão com todo o possível, até mesmo com o que a filosofia abomina. Sim, muito mais real. Por isso também sinto-me muito mais aprendiz que nunca. Com medo também de me sentir idiota e de perguntar coisas óbvias que até então nunca tinha prestado atenção na vida: como se faz arroz? Como se prega um botão? O que é CNPJ? Bem, essas coisas necessárias que até então idiotamente ignorei aprender e praticar. Sinto também uma certa dose de vergonha por ser quem eu fui até hoje. Mas uma vergonha saudável de quem viu o erro e tem uma vida pela frente. E aquele título Proustiano que sempre me persegue - na verdade acho que persegue todo mundo - volta a preencher a minha cabeça....Em busca do tempo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muita mudança que não sei se deu para entender (Nem eu consegui percebê-la ainda totalmente...quanta coisa ainda falta). Entender não, sentir. A mudança se sente. Mas sei que aos pouco ela também habitará aqui, no blog, na forma como escrevo, no que olho, no que recorto desse mundo para colocar aqui. Aos poucos, sempre aos poucos é que a gente deve perceber tudo. E quem convive deve estar percebendo a minha mudança...e podem até dizer...mudou por amor, por causa de uma mulher e coisa e tal, essas bobagens...mas não sei se existe mudança mais nobre senão essa: a mudança que o amor provoca. Pelo e atráves do amor. Nada é mais nobre e belo. Romântico? Não. Realista. Quem ama sabe das transformações que estou falando. Reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei de escrever no blog também porque ultimamente estava achando os meus textos íntimos demais. E olha o que eu faço....um texto super íntimo....mas não é uma paradoxo.É lógico. E não menos lógico seria dedicar também esse texto a quem realmente fez esse texto. Não as palavras, mas a mulher que fez o homem. À Nádia, sempre, por ser quem eu sou hoje. Com os olhos de hoje. Para a vida real. E o futuro será nosso meu amor. Com um homem que não desistirá de melhorar nunca. Que sabe que não é perfeito e que falta muito para ser o homem ideal. Mas que não parará nunca...que viverá para o amor até nos momentos em que suspeitamos não haver amor. Em nome do que sinto por você. Em nome do amor. Em seu nome. Em meu nome. Em nosso nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-6926362652242355997?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2009/08/hiato.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-4020210808355104253</guid><pubDate>Fri, 24 Oct 2008 19:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-24T18:35:48.394-02:00</atom:updated><title>Depoimento</title><description>&lt;div align="right"&gt;Para Nádia&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tenho um carinho muito especial por você. É tanto que acho que não cabe em mim. Não sei se meu coração é pequeno demais ou se tudo isso é mesmo maior do que um corpo pode suportar. O fato é que tenho andado ofegante, suspirando alto, como se o corpo quisesse dizer para alma que existe nele algo bonito demais e que seria absurdo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;mantê&lt;/span&gt;-lo escondido, preso nas bordas da pele. E na verdade, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;afeto&lt;/span&gt; tem razão: por quê ocultar um carinho tão grandioso? Por quê não mostrá-lo e dá-lo para o mundo? São tempos difíceis em que as pessoas andam cismadas de dizer que gostam, que amam, com medo de sentir e sofrer e que tudo se perde no silêncio; e às vezes tudo se perde porque foi dito com temeridade e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;indiretamente&lt;/span&gt; que tudo se perdeu na indecisão das coisas. E quando finalmente tomamos coragem para dizer, já é tarde demais, inútil, vã qualquer palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe ao certo porque um sentimento nasce dentro da gente. Não há lei para os sentimentos. Neles o que há é a verdade de estar existindo. Sinto, logo existo. E constato em mim essa verdade que me liga a ti. Como diz no livro que tem teu nome, a beleza é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;convulsiva&lt;/span&gt;, revolucionária, ou não é nada. E pela sua beleza eu já fui tocado, convulsionado, revolucionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma dupla consequência nesse ato de gostar de alguém: é um duplo movimento que ele provoca, dupla exaltação da vida. O primeiro é quando vemos a vida mais iluminada, tudo brilha, tudo cheira a intensidade, tudo é muito mais. O segundo é quando, tocado por essa exuberância, somos convocados a devolver à vida o mesmo brilho.  Tudo se reveste de uma bela potência de paixão. E tudo por causa de um único ser, uma única pessoa no meio de tantas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já falei e não cansarei de repetir que você é como uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;florzinha&lt;/span&gt; para ser cuidada, protegida, amada, adorada, nesse nosso mundo cão. Para que permanece em ti essa sua beleza, essa candura, esse sorriso envergonhado que adoro tanto, o meu desejo é cultivar-te com o que há de melhor em mim. E sempre, longe ou perto, tentarei fazer com que sinta essa paz que você me dá sem saber como e porquê, gratuitamente, como só as coisas mais belas conseguem ser e dar na simples &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;ação&lt;/span&gt; de estar existindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que meu coração jamais pense em deixar de te adorar...o coração se pudesse pensar pararia...&lt;br /&gt;Beijos nos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;olhinhos&lt;/span&gt; que são tão lindos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te adoro minha pateta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-4020210808355104253?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/10/depoimento.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-8241782546888516277</guid><pubDate>Wed, 08 Oct 2008 23:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-08T20:14:36.313-03:00</atom:updated><title>Alongamento com Quintana</title><description>Tenho essa ambição de querer ler todos os livros do mundo. Pois Bem. Nessa fúria inebriante de querer engolir o mundo com uma boca só é necessário um certo método. Nem tudo consegue adentrar nessa boca pequena que vos vala. Tratando-se de conhecimento podemos dizer que existem certos alimentos espirituais totalmente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;indigestos&lt;/span&gt;, ou que no mínimo precisam de uma boa sessão de corte para que se engula as partes e uma preparação espiritual, um ascetismo mesmo para poder nos permitir apreender tudo. Ninguém entra numa churrascaria impunemente sem preparar previamente o estômago e a alma que também se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;inflará&lt;/span&gt;. Não se sairá igual. Da mesma forma e muito pior acontece com a arte e a filosofia, é também prudente preparar a alma e o estômago, sim, o estômago!, para cada inserção nesses livros onde escorrem gorduras de conhecimento. Assim: quem come um touro inteiro chamado &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Dostoiévski&lt;/span&gt;? Alguém encara, assim, sem mais nem menos, numa singela tarde de domingo uma ópera de Wagner ou uma “refrescante” dose da filosofia de Nietzsche? Duvido que não passe mal depois, duvido. Pode até causar vertigem irrecuperável! Até que algumas, nesse nosso mundo insosso, são muito recomendáveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Hoje chove. E minha alma anda muito &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;suscetível&lt;/span&gt; a abalos sísmicos sem aviso prévio. Ela está precisando de flexibilidade nas estruturas para não desmoronar em qualquer encontrão com a dor da terra. Pensando nisso e agarrado a essa minha ambição filosófica de mundo, antes de começar a ler Nietzsche e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Dostoiévski&lt;/span&gt; hoje, principiei o dia lendo um livro do Mário &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Quintana&lt;/span&gt;, A Vaca e o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Hipogrifo&lt;/span&gt;, com o pretexto de alongar as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;idéias&lt;/span&gt; antes de entrar na maratona filosófica. Acabei me retendo nele, devorando-o e descobrindo uma certa alegria, um certo humor da genialidade que faz com que percorramos um caminho árduo na mais calma plenitude. O livro consiste de pequenas trechos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;inteligentíssimos&lt;/span&gt; e humorados sobre temas variados. E quem convive comigo sabe: tenho essa teoria, nem sei se é teoria, e provavelmente não é também original, tá, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;ok&lt;/span&gt;, essa constatação de o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;gênio&lt;/span&gt; nos faz sorrir até mesmo da dor, que uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;idéia&lt;/span&gt; genial tem como &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;consequência&lt;/span&gt; última a gargalha diante do espanto. É isso que constato em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Quintana&lt;/span&gt;, quando o lemos brota um inocente sorriso de criança que brilha ao ver o mágico tirar o coelho da cartola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu foi isso. Fiquei o dia inteiro lendo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Quintana&lt;/span&gt; e quando me dei conta já estava em outra etapa do ensinamento, respirando uma atmosfera muito mais animadora. Fui do alongamento intelectual ao trabalho duro das &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;idéias&lt;/span&gt; sem sentir passar nem o tempo nem a dor. A arte de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Quintana&lt;/span&gt;, além da poesia, é a da condução do espírito com leveza e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;minimalismo&lt;/span&gt; (estética que anda me atraindo, com o pouco dizer muito...). Mas quem disse que o poeta não é também um dançarino que sabe se conduzir com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;maestria&lt;/span&gt; no ritmo da vida e na melodia das &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;idéias&lt;/span&gt;? Nessa dança acabei sendo conduzido por ele, e fui tão bem conduzido, que acabei aprendendo alguns passos de seu estilo, sem modéstia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-8241782546888516277?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/10/alongamento-com-quintana.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-4011145182298777799</guid><pubDate>Sun, 03 Aug 2008 21:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-03T18:49:16.717-03:00</atom:updated><title>Tagarelice</title><description>Falar é fácil. Falar é fácil demais. Depois de toda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;ação&lt;/span&gt; então, nem é mesmo necessário mais língua. A frase solta que envolve a fala faz sem aparato o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;vôo&lt;/span&gt; necessário para sair da caverna para habitar a amplidão do mundo. A tagarelice está ai a todo vapor, na TV a toda hora, nos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;botequins&lt;/span&gt; de cada esquina, nas horas perdidas de ócio dentro de uma casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever também e fácil. Com um pouco mais de trabalho monta-se uma frase, um texto, e de repente está instaurado a mesma tagarelice da fala, o mesmo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;monturo&lt;/span&gt; de pensamento, a mesma náusea de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;nhenhenhés&lt;/span&gt;, com que antes cabia a boca expandir. Com a fala se expurga a culpa de não ter feito antes o que poderia estar e que agora é reclamado. Milhões e milhões a toda hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bêbados sem álcool nenhum dizem as coisas mais sem sentido que nem o personagem mais lúcido de qualquer lugar saberia pronunciar tão bem. Com a tagarelice escapa-se do tédio. Sim, é uma boa forma de passar o tempo, construindo castelos de areia que na mesma hora que montados escorrem pelos dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o mundo prossegue amontoando merda atrás de merda só para ter a impressão de que falando a vida se torna menos fétida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero é ver quem tem coragem de silenciar para extrair desse silêncio a frase que ultrapassará todas. Eu quero é ver quem tem coragem de interromper o fluxo da frase, o fluxo do pena e da escrita, para no momento seguinte extrair uma poesia que reverberá. O mundo está lotado de palavras inúteis. E uns ainda reclamam o estatuto de obra de arte em todas as áreas. Nem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Duchamp&lt;/span&gt; que deslocou o estatuto do que é arte de forma que ainda nos dá trabalho tagarelava tanto. Na verdade &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Duchamp&lt;/span&gt; sabia das coisas. Não é de se espantar que a sua obra ainda esteja nas veredas dos enigmas. Enigmas e silêncios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário lançar a palavra como uma flecha diante do alvo, como numa essência minimalista. Onde se entrevê entre o tão pouco um mar de entrelinhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-4011145182298777799?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/08/tagarelice.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-2102844013856944864</guid><pubDate>Tue, 29 Jul 2008 08:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-29T05:57:01.082-03:00</atom:updated><title>Poesia, História, Memória</title><description>No &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;átimo&lt;/span&gt; de tempo onde o homem possui uma consciência, ele entrevê a sua &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;finitude&lt;/span&gt;, não como espécie, mas como indivíduo, e é também a partir dessa consciência de si que o homem pode vislumbrar uma tentativa de ultrapassar essa linha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;efêmera&lt;/span&gt; de vida que o relega ao destino do esquecimento. Algo no homem sugere uma outra forma de permanência que não aquela sugerida pela circularidade da vida das coisas da natureza que, tal como nos aponta &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Hannah&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Arendt&lt;/span&gt;, no mundo grego, conferia um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;status&lt;/span&gt; de imortalidade. O homem contesta esse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;caráter&lt;/span&gt; de imortalidade construindo para si um material que preservaria, no sentido e até onde no tempo o homem perdurasse, os feitos e as falas significativas, dignas da memória, na qual ele pudesse angariar para si uma sabedoria e uma experiência.&lt;br /&gt;            É de grande valia a análise de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Hannah&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Arendt&lt;/span&gt; sobre as questões da origem da poesia e da história em seu livro Entre o passado e o futuro, principalmente quando ela nos relembra a passagem onde &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Odisseu&lt;/span&gt; escuta os seus próprios feitos na Guerra de Tróia na corte dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Feácios&lt;/span&gt;. Estaria ali na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Odisséia&lt;/span&gt; a origem da história e da poesia condensadas em uma passagem? Mais do que apenas um grande exemplo, o que podemos extrair desse trecho é o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;caráter&lt;/span&gt; incontestável de busca no mundo grego pela preservação da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;ação&lt;/span&gt; e da fala, seja através da mitologia, da história, da poesia ou da filosofia. É lá que o homem passa a construir uma estrutura &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;lingüística&lt;/span&gt; em que ele pode reter uma sabedoria de vida que pode se levado a outras vidas e tempos.&lt;br /&gt;            Seja na forma poética ou histórica, o que está em jogo lá no mundo grego, e agora também, é o que vale a pena recordar do mundo e do homem. O que vale recordar para ultrapassar a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;práksis&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;léksis&lt;/span&gt; para ganhar o estatuto de história e poesia? Porque o homem busca escrever para obter uma outra relação de experiência com a vida? Entre tantas respostas possíveis podemos dizer que o homem faz poesia ou história para penetrar no ser. Penetra-se mais quando o homem volta para si mesmo sem, no entanto deixar de penetrar naquilo que o circunda e que lha dá o limite de suas condições, ou seja, a natureza. É nesse duplo espelhamento que através da poesia e da história que o homem pode atravessar a ponte entre o instante e o eterno, mesmo sendo este eterno do tamanho da natureza do homem.&lt;br /&gt;            É nesse sentido que podemos dizer que a poesia e a história cravam uma memória dentro da consciência do homem para além de sua memória habitual. A memória cravada é a memória lapidada e inspirada daquilo que no instante soube transcender, numa espécie de ressonância, um sentido.  Não é qualquer ato ou falo que se transforma, não é tudo que é digno da memória. O esquecimento é um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;espetáculo&lt;/span&gt; que se representa todas as noites, como nos diz &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Wilhelm&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Jensen&lt;/span&gt;. Podemos dizer que a memória do que é digno de ser recordado requer trabalho, mas não um trabalho qualquer: evocar a memória é antes evocar também os meios pelos quais o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;objeto&lt;/span&gt; ganha para si a coloração que realçara a plenitude que, imerso no instante, ele não pôde perceber ou realizar. A poesia e a história são os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;esmeros&lt;/span&gt; do homem para o homem. É nessa busca, nesse trabalho infindável, que o homem tem a chance de não permitir que haja uma lacuna entre o passado e o futuro, como bem apontou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Hannah&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Arendt&lt;/span&gt;, que ele possa se fazer coeso e livre, fruto do passado e da memória.&lt;br /&gt;A memória feita pela história e pela poesia é o grande tecido vital pela qual a vida, não esquecendo dos componentes de que ela é feita, preservando a sua matéria, pode restituir e iluminar, regenerar e tornar híbrida a existência que um dia foi perdida. Poesia e história como grandes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;seivas&lt;/span&gt; terrestres capazes de irrigar com plenitude os feitos e falas dos homens, presentes, passados, futuros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-2102844013856944864?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/07/poesia-histria-memria.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-8480339188560859682</guid><pubDate>Fri, 11 Jul 2008 20:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-02T18:26:28.954-03:00</atom:updated><title>Sofía e Rímini</title><description>Acabo de terminar &lt;em&gt;O passado,&lt;/em&gt; obra do argentino Alan Pauls, e saio inquieto, não menos inquieto do que quando saí do cinema para ver a adaptação do livro pelas mãos de Hector Babenco. No primeiro encontro saí tão aturdido com a história, a relação ou não-relação de Sofía com Rímini, que fui direto na livraria comprar a sua seiva original. Demorei alguns dias para iniciá-lo e hoje, seis meses depois, concluo a obra. Mas esse ponto final é apenas simbólico: nada se conclui, nada termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa frase, se não a retirei do livro, encontra lá sua vizinhança. Poderia dizer que é uma frase de Sofía, o tema do livro, uma danação que descobrimos, é uma verdade, é a encarnação da memória, um postulado do amor...tantas coisas extraímos da ambição de Sofía. No final das contas, nem nos perguntamos mais se Rímini volta a amar Sofía ou não, se diante do final enigmático as portas estão para sempre fechadas ou abertas, se Sofía finalmente obtém o seu sucesso. De um certo modo sim, mas a grande questão, independente de Sofía, é que Rímini fracassa. Fracassa em esquecer, fracassa em tentar acelerar o tempo natural da memória. Fracassa em não querer saber o que será decantado ou não. É contra esse empreendimento louco que Sofía arma batalha. Não mais contra os novos amores de Rímini, mas contra esse ambição louca de esquecimento necessário que Rímini impõe a si mesmo para se desligar totalmente de Sofía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela possui uma aliada: a vida. É ela que se interpõe entre a memória e o esquecimento. É ela que não para de reanimar as relações aleatórias que faz com que Sofía esteja na latência do presente. Sófia não é só fantasmagórica quando aparece para Rímini. Ele não volta para ela por causa de sua sedução e insistência. Há muito que Sofía desistiu de ligar, de procurar, de ser novamente tocada por Rímini. Vemos dois tipos de cansaços. Ambos se queixam, mas por motivos antagônicos. Sofía se cansa porque ela é o grande arquivo vivo que está condenada a lembrar de tudo. Rímini se cansa porque não para de fugir, de se esconder, para escapar de qualquer relação com o seu passado. Rímini é tão fantasmagórico quanto Sofía. Quem sofre mais, aquele que lembra ou aquele que esquece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dessa memória involuntária, não a mesma de Proust, se bem que possui relações, que Sofía extrai a sua teoria Mnemônica do Amor. É por ela, pela memória que a fagulha de amor pode ser reconstruída. De nada adianta seduções, reconquistas. O ser amado pode se ligar ou se desligar com facilidade. Agora da memória onde o amor habitou não. Aqueles que esquecem a parcela de vida que foi construída pelo amor, esses são irrecuperáveis. Aqueles que nutrem mesmo o ódio por quem amou, esses estão dispostos a ser inoculados novamente, neles ainda se mantém a matéria que o amor apossou, mesmo que desvirtuada. É pela memória, pela raiz, que é possível fazer nascer de novo o ecossistema do amor, qualquer amor. Quando Rímini diz que não consegue se lembrar de algum detalhe, que para Sofía é nítido, ela o considera morto e se desespera. &lt;em&gt;O esquecimento é um espetáculo que se representa todas as noites...&lt;/em&gt;Lê num determinado ponto Sofía.Pois como extrair vida, fazer o caminho mudar de direção e fruto, de um tecido morto, sem memória? É a memória o lastro entre a matéria e o espírito, entre o amor e nada. Como reconstruir a membrana do amor sem a matéria de que ela é feita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada se conclui, nada termina. Querendo ou não somos vítimas da vida que nos condena a lidar com aquilo que construímos, querendo ou não. Condenados a lembrar? Numa vertente Sartriana da liberdade. O homem está condenado a ser livre. O homem está condenado a lembrar. Condenado a conviver com aquilo que fomos, irreversíveis...é Sofía que mesmo condenada sabe ler os signos da liberdade de sua condenação.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-8480339188560859682?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/07/sofa-e-rmini.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-2371047020355252455</guid><pubDate>Tue, 08 Jul 2008 00:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-07-07T21:31:40.958-03:00</atom:updated><title>Textura Noturna</title><description>Amadureci antes do meio-dia de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou à rua: é como se não houvesse entes. Sou como o fruto tombado que degenera, carcomido pelos ventos e vermes da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sono ou sonho, como um aleijado fabricante de sua paralisia, rastejo para o deserto dos nunca iludibriados, onde o amor foi sempre a amarga sombra de um verso. Com o sol a corroer-me. Os olhos eternamente dilatados. Com a solidão a abandonar-me, tal qual uma hiena enfastiada que desdenha sua carniça destroçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amadureci antes do meio-dia de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou à rua: é como se ninguém me visse. Sou como o pombo tropeçado que espera no peito as migalhas da piedade e da debilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite cega na qual estou e que não ouso imaginar uma nova aurora. Tateio em ti algo para exorcizar-me o crepúsculo, mas minhas mãos afogadas escorrem na expressão lisa de tua face que, assustada, foge como se sentisse a própria morte - mais escura que a noite -arrebatando-lhe as entranhas do silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-2371047020355252455?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/07/textura-noturna.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-577391926875808883</guid><pubDate>Sun, 22 Jun 2008 22:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-22T19:26:40.813-03:00</atom:updated><title>Terceira Fatalidade</title><description>Não há nada mais triste do que escrever sobre o que poderia ter sido. Às vezes a escrita se faz com uma coragem tardia e inútil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-577391926875808883?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/06/terceira-fatalidade.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-1649836987994965420</guid><pubDate>Fri, 20 Jun 2008 00:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-20T14:11:42.705-03:00</atom:updated><title>Íntimos</title><description>&lt;div align="right"&gt;Para Renata &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz uns três anos que não nos víamos, não é isso? E quem, ontem, ao olhar para nós dois sentados, um diante do outro, numa lanchonete qualquer da zona sul da cidade, poderia medir essa quantidade de tempo absurda que passamos sem nos ver? Estávamos lá, duas almas atentas, o olhar fixo para não perder nada do outro, desprezando todo o resto do mundo que nos rodeava, os corações vibrantes, as frases confessionais extraídas do melhor da intimidade. Com tudo isso era impossível alguém afirmar o contrário disso: eram melhores amigos, irmãos talvez, amantes ávidos de saudade, duas pessoas que passaram a vida inteira juntos sem jamais se desgrudar. Emitíamos, certamente, uma espécie de clarão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E era isso o que constatávamos sempre, segundo após segundo, frase após frase: que jamais nos separamos, desprezando toda e qualquer assertiva da materialidade e do espaço. Éramos dois corpos que ultrapassavam as leis da física, unidos pela sintonia dos afetos, por uma sensibilidade dilatada que percebe o mundo além do visível, com nossos olhares agudos, com nossas almas despertas ás mínimas sutilezas da vida, almas capazes de extrair a tristeza mais terna ou a beleza mais sublime de pequenas partículas da realidade. Se um rosto, um cão, uma pedra, pouco importava, as coisas nos atingiam por lugares inimagináveis, penetrando-nos com o seu sêmen, e no mesmo instante sofríamos as transformações de suas interferências, sutis, mas fundamentais, que pouco a pouco, se juntavam a tantas outras, que não menos arbitrárias a nossa vontade, estavam acumuladas na nossa alma sempre bem educada e gorda para qualquer gota de vida, boa ou má. Éramos sempre dois seres grávidos, grávidos inclusive do vazio que na sua metafísica nos atingia com a força eqüilátera de qualquer matéria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Constatávamos as soluções e os problemas daqueles que sentem demais a vida. E até percebemos que essa sensibilidade microscópica nos provocou – talvez no mesmo dia e na mesma hora – efeitos terríveis para os nossos corações. Será que foi a mesma visão que palpitou demais o nosso coração a ponto de diagnosticarmos uma taquicardia? Será que foi a mesma dor do mundo que nos atingiu – eu em pleno centro do Rio e você numa tarde abafada no centro de Buenos Aires – e que nos fez desmaiar sem hesitação? Talvez estivéssemos percebendo a mesma catástrofe cotidiana, talvez quiséssemos dizer a mesma coisa, compartilhar com alguém o mesmo sopro de vida imenso que nos impregnava, e o resultado de não acharmos meios ou a pessoa certa, capaz de, sem o auxílio das palavras, entender tudo o que não dizíamos, numa intimidade eterna que vislumbra logo a intenção antes de qualquer gesto, foi ver a nossa saúde ameaçada, envolvida num desses paradoxos irônicos do destino onde os extremos, apenas por um momento, se aproximam e se transmutam. E nós, vítimas dessa sensibilidade recrudescida, estávamos agora dispostos a condená-la por tudo que ela nos dava. Inventávamos até uma sensibilidade doentia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Éramos, então, obrigados a dar a esse amálgama um pouco de lucidez para não sofrermos demais. Porque o sentir acaba nos impelindo a uma depuração. No seu auge, ele não mais se contenta com aquilo que simplesmente chega e nos atravessa, mas exige uma perseverança da forma, onde podemos transformar o que sofremos em agradecimentos, pois nessa instância já saberemos ser todo o ato e todo o sentimento que nos atinge, fecundados de uma cópula onde o que nasce, dessa comunhão com a vida, é algo que toca a atmosfera de uma obra de arte (não é acaso a nossa afinidade com a arte). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E não é o que fazemos, o que não paramos de fazer, senão obras de artes de nossas impressões? Pois os teus desenhos e os meus textos não deixam de ser reflexos e reflexões sobre tudo aquilo que nos afeta. E mesmo o que talvez não ganhe a expressão de alguma forma artística, como talvez algum dos momentos em que vivemos na intimidade de nosso mais puro prazer (uma tarde de domingo onde fechamos os olhos para relembrar o exato momento em que um amigo querido nos presenteou com um livro e sua dedicatória; ou numa noite escura em que esse amigo tenta relembrar com toda a sua força a pergunta feita - dela para um professor antigo - que irá desvendar a sua agonia), é rodeado por um halo de poesia. Poesia essa à flor da pele, da nossa pele, que nos condena e nos expurga para um destino que não se contenta jamais com a banalidade de ser só ele. É que o ser é sempre menor que o não-ser. E nesse afã de não cabermos em nós, de ultrapassar o que nos ultrapassa, conseguimos, mesmo que com sofrimento, chegar a essa parcela de vida rara, rarefeita, onde podemos gozar uma serenidade singular. Serenidade fruto desse encontro, dessa intimidade crua, onde somos um e todos. Sensíveis e totais. Ecos das coisas e dos seres. Íntimos de tudo, inclusive de nós mesmo, eu e você, nós dois, que como corpos estávamos diante um do outro numa lanchonete perdida na zona sul do Rio de Janeiro. Mas que como almas éramos íntimos também da pedra, do mar, da criança, da morte, da arte, da amizade, do sol, do tempo, do afeto, do amor, do infinito... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-1649836987994965420?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/06/ntimos.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-3656399902251676484</guid><pubDate>Thu, 01 May 2008 01:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-30T22:21:27.147-03:00</atom:updated><title>Lua Catalã</title><description>Sonhei com ela, onde só eu a via. Lua única que carregava consigo uma névoa (sem semelhança com nuvens). Todos só a perceberam quando lhe cravei o nome, que me veio também único: Lua Catalã. Não sei mais nada sobre ela, os seus efeitos, a sua origem, o seu sentido. Ainda bem que não me perguntaram nada pois não saberia dizer nada além de seu nome. Imersa no meu sonho, translúcida no meu sonho, consta para mim como uma daquelas poesias que permanecem obscuras, invariáveis a qualquer explicação, durante toda a vida. A Lua Catalã carrega consigo a sua névoa, espécie de vidro embaçado pelo nosso hálito quando nos aproximamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-3656399902251676484?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/04/lua-catal.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-6202697050381040981</guid><pubDate>Wed, 16 Apr 2008 01:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-15T22:40:26.972-03:00</atom:updated><title>O Guia e a Bússola</title><description>O nosso herói, entre todos os homens de todos os tempos, era o único que possuía o endereço de casa - e era de lá também que se originavam todos os homens. Ele, não menos homem nem mais herói que os demais, era também obrigado a percorrer – até a sua morte – aquilo que chamavam de destino. Não sabemos o real motivo, mas o nosso herói obtendo o endereço nas mãos – que todos os outros queriam possuir, dos mais sábios aos mais tolos – não o mostrou a ninguém. Certamente, não era caso de egoísmo ou vaidade. È que a mensagem não possuía valor algum tão logo a sua casa se tornava mais distante e ele começava a cravar os pés e os olhos na realidade do horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o seu vagar ininterrupto via os outros homens, com seus olhos lacrimosos e suplicantes, procurarem insaciavelmente aquilo que ele continha. Uns chegavam a interromper os próprios passos com medo de errar o caminho, outros retrocediam e se tornavam um pouco mais infantis. Mas o nosso herói errava como todos os outros e prosseguia. A mensagem, contendo somente o lugar de onde vinham, não apontava para lugar nenhum. O nosso herói, na medida em que o tempo e o movimento se dilatavam, via-a cada vez mais ilegível e inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tão grande a esperança que os homens depositavam na mensagem que, talvez com medo de desiludi-los e colocá-los assim numa outra ilusão é que o nosso herói – e ele só era herói por isso – ocultava até o insuportável a mensagem. Carregava consigo o mal-entendido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-6202697050381040981?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/04/o-guia-e-bssola.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-3269071146230679552</guid><pubDate>Mon, 07 Apr 2008 23:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-07T20:35:28.444-03:00</atom:updated><title>Ausência da referência</title><description>Observo da janela as árvores, os pássaros. Vejo-os sempre além do que são: vejo na memória algum semelhante outono numa cidade antiga de minha juventude, o mesmo clima, o mesmo farfalhar das folhas, o mesmo canto do pássaro. Não sou capaz de dar àquilo que vejo uma liberdade plena. O presente é sempre reenviado a algo que não pertence a ele. Dou outra cor ao pássaro e ao canto como se eles precisassem, para existirem, da força de minha imaginação. Faço-os virarem fantasmas em preto e branco tão logo os vejo com os olhos de minha recognição. É óbvio que eles existem plenos sem o aval de minha memória. A verdadeira visão é esse pássaro, no pouso e no canto, sem adição, no seu futuro movimento que não adivinho, no seu invisível vôo melódico, na sua cor desafiada pelo sol que me atinge extremamente forte e singular, una e múltipla.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-3269071146230679552?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/04/ausncia-de-referncia.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-277601784061985707</guid><pubDate>Sun, 06 Apr 2008 19:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-06T18:12:35.863-03:00</atom:updated><title>Referência da ausência</title><description>Recordo o estado de solidão em que vivia ao caminhar pelas ruas daquela cidade antiga de minha juventude, mas não lembro a quem aquele estado de solidão se referia. Que ausência? Nada parece ter restado daquele sentimento desesperado senão aquelas ruas amontoadas de gente, o entardecer fino e lúgubre, o rio e sua ponte, e as lojas que não me diziam absolutamente nada. Era somente um andar perdido, ressentido, ensimesmado. E a quem ele se dedicava? A quem eu dedico essas palavras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma certa maneira, a dimensão exterior do sentimento vai se esvaindo de nossa memória e realidade, ficando somente em nós, talvez, uma cidade inóspita,um olhar perdido entre as coisas, um quarto escuro e húmido pelas nossas lágrimas, e nada mais. Mas a paixão e o amor...que paixão, que amor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-277601784061985707?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/04/referncia-da-ausncia.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-4012928530056699829</guid><pubDate>Fri, 28 Mar 2008 02:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-27T23:46:36.684-03:00</atom:updated><title>Perdas e ganhos</title><description>Com a arte e filosofia a coisa funciona mais ou menos assim: você não perde nada por não ter encontrado, mas a cada encontro você ganha uma vida e um mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-4012928530056699829?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/03/perdas-e-ganhos.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-2998637835526260063</guid><pubDate>Fri, 15 Feb 2008 13:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-15T11:38:26.816-02:00</atom:updated><title>Laguinha (Um conto para João)</title><description>&lt;div align="left"&gt;(E de tão inebriado pelas suas Estórias e linguagem, resolvi fazer um conto para alegrar meu amigo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, longe do sertão, também existe um Menino. E os bichos, reduzidos, são de um pequeno sítio nos confins da cidade. Algumas galinhas, patos, gansos. E - que absurdo! - alguns passarinhos presos. O menino tinha pena deles. Falava para o pai, quando este reclamava que há tempos não ouvia o canto do curió: “Para que, ou quem, o pobre do bicho vai cantar?! Ele não pode namorar ninguém na gaiola! Ele é igual a gente, a gente só gosta de cantar quando está feliz, quando tem gente perto, quando pela rua a gente está alegre para ir num monte de lugar...Preso assim o passarinho não tem vontade de cantar...Eu quando fico de castigo, trancado no quarto, não tenho vontade de cantar...fico quieto.”&lt;br /&gt;Adorava observar os bichos. Gostava mais das galinhas. E tinha uma, a menor do galinheiro, que sempre vinha para perto dele ciscar. Pertinho. Até migalhas na palma da mão do menino ela vinha bicar. Ela tinha até nome, a única: Laguinha. Quando ele era bem menorzinho, o menino não podia ver uma galinha que gritava: “Olha mãe! É a laguinha! A laguinha!” Depois, já um pouco crescido, a mãe lhe contou o episódio, e ele gostou tanto do seu erro que resolveu mantê-lo em algum lugar. O menino alimentava Laguinha todo dia no quintal.&lt;br /&gt;Até que um dia o pai, temeroso da violência que se aproximava, vinda da cidade, decidiu compra um cão. Era um Pastor Alemão, de raça pura, para amedrontar os outros com valor. O cão não era filhote, já estava crescido. E o menino achou estranho, ele não gostar muito de brincar. Não fazia como Laguinha que saia do galinheiro e ia direto para perto da porta da casa, buscar as suas mãos e as migalhas. Ele quase não se chegava. Ficava retraído, deitado no portão da casa. Era o menino que tinha de chegar no bicho. E, às vezes, ele nem gostava de carinho. O menino se chegava e ele logo se retesava, eriçava o pêlo, rosnava baxinho para ninguém ouvir.  Reclamou: “Pai, esse cachorro é estranho, tem dia que ele rosna pra mim, acho que ele não gosta de mim. Na verdade, eu acho que ele não gosta de ninguém. Gosta de ficar sozinho esse cão”.“Para proteger a casa ele serve filho”, respondia.   &lt;br /&gt;E ai, Laguinha não podia mais ficar solta o dia inteiro. Nenhum bicho! Só rapidamente para esticar um pouco os músculos e ciscar um pouco as minhocas e formigas perdidas. E ele quase não via mais Laguinha. Só quando entrava no galinheiro. Mas não era a mesma coisa. Bom era ver Laguinha se chegando, vindo meio atabalhoada, distraída, cínica, olhando tudo. Fazia até um pouco de charme, Laguinha! Laguinha mais perto do menino que das galinhas, parava. Fazia que voltava, rodopiava, fingia que olhava, fingia que ciscava. Ai o Menino tinha de ir ao encontro de Laguinha! Ele também um pouco charmoso. Ia devagar, os dois agora bem próximos, o Menino abaixado, simulando gestos. E quando nada mais restava a ser feito, quando nenhum gesto podia mais ocultar o real sentimento, os dois caminhavam de verdade, num embate fraterno, para o concreto ato da amizade. Laguinha quase empoleirada na sua mão atrás das migalinhas. E ele contente de poder acariciar Laguinha e vê-la de perto. Veja bem: uma galinha que gosta de carinho. Veja bem: um Menino que gosta de acariciar galinha. Isso não tinha de ser contado? &lt;br /&gt;E agora Laguinha no poleiro nem gostava muito de comer muito as migalhas que o Menino preparava. Preferia comer junto com as outras. A ração de todos os dias. E o menino, na penumbra do galinheiro, não via bem os detalhes de Laguinha. Ela também, nem parada ficava, atiçada pelas outras galinhas. Nem dava para fazer carinho. Nem dava para receber carinho. Tudo muito conturbado ali dentro!&lt;br /&gt;Hoje o Menino estava com muita saudade de Laguinha como era. Ele e Laguinha estavam parecidos com os passarinhos que não cantavam. O Menino preso em sua tristeza.&lt;br /&gt;Alguma coisa tinha que ser feita.&lt;br /&gt;E não é que o Menino, um tempo depois de ficar bastante triste, para sua surpresa, pois isso nunca acontecia, estava sozinho em casa?! E Por quê? O cão havia fugido! O pai saia agora para procurar o bicho que escapara no meio da noite. Então ficaria ele de novo alegre? Ele, Laguinha e as migalinhas?&lt;br /&gt;Como correu o Menino para abrir o galinheiro! Arfava, pulava, tropeçava em tanta alegria. Abriu e logo tornou a correr depressa para dentro de casa, para pegar as migalhas de pão e ficar na beirada da porta à espera de Laguinha. E ele já via Laguinha se distanciando das outras galinhas. Só ela, toda-toda, com os seus pulinhos e bater de asas, num zig-zag desengonçado, vinha para tirar os atrasos da alegria. Laguinha pulava tanto que quase voava. Não havia nem tempo para fazer charme, como os amantes atropelados pela saudade.&lt;br /&gt;Laguinha na sua mão, duradoura, abandonada nas migalinhas, lânguida para os carinhos. Ele olhando para o que já estava lançado como o inacreditável acontecimento.&lt;br /&gt;E não é que as outras galinhas ficaram com ciúme de Laguinha? Será que nesse tempo de reclusão ela havia contado para as outras galinhas o que fazia lá longe do galinheiro? Porque agora, num momento só, corriam em sua direção, desordenadas, todas as outras galinhas, umas atrás das outras, desesperadas, com pulos de dar inveja a macacos. Por quê, senão, qual outra explicação, para tamanha correria das galinhas? Todas então, agora, para as migalhas e os carinhos na mão do Menino? Quantas mãos e migalhas teria que ter? Então era isso, toda alegria implodida em Laguinha, como num feitiço, contagiara todas as outras? Galinhas solidárias essas que com tanta tristeza de uma só galinha, explodiam em passeata em busca de tamanha utopia...&lt;br /&gt;Mas as galinhas desordenadas não vinham com cara de quem sorria...&lt;br /&gt;Voavam penas das galinhas, aos montes. Distantes, nem Laguinha nem o Menino ainda entendiam o acontecido. E foi aqui, nesse instante, que também Laguinha e o Menino, perderam o encantamento da Estória. Era o cão encontrado. Uma, duas, três, quatro galinhas, já não voavam. E agora, já era pouca à distância do cão. Ambos assustados fizeram inconseqüentes gestos sem retorno. Laguinha, já longe da mão do Menino, corria para não se sabe onde. O Menino, em vão, tentando afastar o cão. Mas era o cão, com os seus dentes a solta, que espantava o Menino para dentro de casa. E o pai lá longe, correndo e assustado, desprevenido, mais desesperados que todos, vislumbrando todas as tragédias e tristezas, tentava.&lt;br /&gt;O Menino não queria ver o que já esperava. Ninguém queria. Acuado atrás da porta, o menino chorava de medo e de vergonha. E de muita dor. Ele não olhando para o que já estava lançado como o inacreditável acontecimento.&lt;br /&gt;   Depois desse dia, nunca mais o Menino foi menino. E o pai, do que dele restava sem o Menino? E do mundo sem Laguinha?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-2998637835526260063?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2008/02/laguinha-um-conto-para-joo.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-568888833870275709</guid><pubDate>Mon, 10 Dec 2007 11:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-10T10:10:03.319-02:00</atom:updated><title>Vida: Fluxo II</title><description>E hoje vi um homem revirar o lixo e beber a água empoçada dentro do galão...como naquela cena no filme "O Pianista" em que o protagonsita bebe a água suja e empoçada na banheira de um hospital abandonado, ou o mendigo que come a sopa do chão. O mendigo de hoje não está menos em guerra que um guerrilheiro dentro da trincheira. E o pior é que seus inimigos são indiretos, não se atira diretamente no mendingo. O mendigo também não tem armas para lutar, infantaria, comboio... e é um sobrevivente de guerra. Mas o que o impulsiona para a vida? Porque existe essa vida que mesmo suja e impossível reclama o seu direito de viver. É ela que o impusiona e faz com que o homem beba a água infectada, durma no chão,olhe para o sol, acorde. Porque mesmo quando nos falta tudo existe a própria vida, existe o órgão que continua a trapalhar, o organismo em seu movimento, algum motor interno que reinvincica à vida a vida. E quando o homem não possui amor, não possui dinheiro, ele tem de viver por si, para si. A vida que ele contém é tão grande que mesmo na falta de tudo ela possui a vontade de permanecer. No fundo, quando não se tem mais esperança de nada, vive-se para si. E essa é a maior potência e desejo de vida que um ser humano pode experimentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-568888833870275709?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/12/fluxos-ii-vida.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-6726566314033174418</guid><pubDate>Mon, 10 Dec 2007 11:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-10T10:09:10.898-02:00</atom:updated><title>Fluxo I: Vida</title><description>Fui pego pela seguinte pergunta: Qual a coisa que você mais gosta no mundo? A minha resposta foi: Não sei, acho que não tem hierarquia das coisas que gosto, cada uma serve e me dá prazer num determinado momento de um determinado jeito. E ai a pergunta que fiz para mim mesmo foi: Existe um gostar melhor? Existe uma vida que seja melhor que a outra? Como aferir isso? Como colocar na balança uma vida e uma outra? Como medir o detino de um filósofo com o destino de um jogador de futebol? O destino de uma lagartixa e o destino de um cavalo? O resultado não será mensurável. Até porque não se trata dos mesmos fatores. A conclusão de um, a experiência de outro, como colocar tudo no mesmo saco e dizer: Olha...esse é o modo certo de viver, esse aqui viveu mais, melhor....Creio que quando colocamos a vida nos moldes do superlativo ela sempre perde...A vida são matizes...seria como dizer que somente uma cor pode agradar os olhos...tudo tem a sua necessidade...se vive de um determinado jeito é porque foi necessário viver assim, e dentro dessa necessidade há certamente atributos que levam a sentir prazeres e dores - necessários. Como é que uma pessoa escolhe o seu modo de vida? E uma gama de fatores o penetram: Necessidade, coação, crença, prazer. O resultado é sempre vago, incomensurável. Às vezes a vitória da vida é morrer de overdorse...às vezes a derrota da vida é morrer vetusto e preso numa cadeira de rodas...às vezes é pela fé que se cria uma vida em torno que te dá prazer...às vezes é pelo ateismo que se encontra os meios de se viver. Será também que existe um prazer certo, ou um modo correto de sentir prazer? A vida parece ser coisa que não se mede e compara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-6726566314033174418?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/12/fluxos-matizes.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-6918166781576336961</guid><pubDate>Mon, 12 Nov 2007 11:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-12T14:21:04.160-02:00</atom:updated><title>Presente:máquina obsoleta</title><description>Trabalhar profundo com aquilo que se tem. Esgotá-lo. Sorver tudo para liberar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos males de nosso tempo é mostrar inúmeras coisas, com suas vitrines e propagandas, e nos forçar a ser dependente daquilo que sabemos que existe mas não conhecemos. Corremos atrás do "necessário" futuro ter e nos esquecemos do material que até agora tão bem estruturou a nossa realidade. Como num conto de Kafka. O excelente trapezista depois de trabalhar anos com o mesmo trapézio sente repentinamente uma vontade inexorável de possuir um segundo: "Só com esta barra na mão, como é que posso viver?"E no entanto, já se viveu. Primeira dor. O homem contemporâneo é como o trapezista, só que ininterruptamente desejoso. Ele não domina nem o primeiro trapézio e já quer os outros, todos os outros. Em sua mão jaz um quebra-cabeça sem imagem a ser formada e sem dobras de encaixe. Quantas dores como a do trapezista inventamos todos dias? Ora é num objeto que agora cremos necessário, ora é num amor, numa profissão, num estado de coisas...até o infinito. A idéia de infinito é bela mas sempre suscita alguma angústia naquele que a vislumbra. Enquanto o homem a vislumbra, a vida fica assim:emperrada. E a impressão de que a vida presente é uma máquina obsoleta que nunca foi usada. Presente:esgotá-lo. Sorver e liberar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-6918166781576336961?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/11/presentemquina-obsoleta.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-1039916376532089813</guid><pubDate>Wed, 07 Nov 2007 16:36:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-07T15:02:24.677-02:00</atom:updated><title>Horizontes</title><description>Em arte não existe progresso. Baudelaire já afirmava isso. Nessa trama, o sucesso e o fracasso não se molda &lt;em&gt;a lá Capitalismo&lt;/em&gt;. As palavras correm é mesmo na horizontalidade de sentidos. Nada é vertical. Altura mesmo, só a do canto. E o canto é sem paredes, não se fecha, abertura. Homero ou Dante, Cervantes ou Kafka, qual o melhor? Impossível dizer. Talvez em arte tudo seja colocação de problemas, vertentes, matizes, um olhar longo de um ângulo ainda não visto. Desbravamento de territórios. Horizontes. E sentir pela arte é sentir pelo outro, como o outro, interseção entre almas. Linhas que se penetram. Horizonte que a cada momento envereda para um continente.Grandes Sertões. Tempos Perdidos. Cidades Invisíveis. Ulisses. Ondas. Processos. Ventos Uivantes. Paixões. Ilíadas. Aprendizagens ou Prazeres. Educações Sentimentais. Ficções. Estrangeiros. Náuseas. Divinas Comédias. Círculos de Giz. Crimes e Castigos. Homens sem Qualidades.Quixotes. Inomináveis. Montanhas Mágicas.Metamorfoses...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-1039916376532089813?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/11/horizontes.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-754744576003339434</guid><pubDate>Tue, 30 Oct 2007 13:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-30T12:10:15.903-02:00</atom:updated><title>O post de um e o comentário de outro</title><description>Esse post nasce de um encontro. Encontro de idéias. Começa num blog e termina no outro ( ou não termina...). O texto e seu comentário. As ironias que habitam os dois textos. Principalmente o do primeiro que é mais sutil e escondido, e por isso mesmo mais irônico. Mais forte. Aqui vai então a reprodução. A parceria literária:Cacau-De Castro. E a prova de que o pensamento evolui com os encontros, com a coação. Que o encontro é a ebulição do novo. Pensar é movimento, é colocar-se em movimento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembretes:&lt;br /&gt;1. comprar gibis da Turma da Mônica para intercalar com minhas maçantes leituras;&lt;br /&gt;2. comprar cocaína (pois a nicotina não está dando conta do recado);&lt;br /&gt;3. comprar (qualquer coisa. Afinal a regra é consumir!).&lt;br /&gt;Postado por Cacau às 14:18&lt;br /&gt;&lt;a name="comments"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;1 comentários:&lt;br /&gt;&lt;a name="c241682428968225715"&gt;&lt;/a&gt;de Castro disse...&lt;br /&gt;É, o duro é sair dessa lógica. Mas podemos substituir o verbo...do Ter para Ser...substitui só...Ser um Gibi da turma da Mônica, Ser cocaína, Ser qualquer coisa...a vida ganha outra cor...bota no lembrete assim também: substituir todo o ter pelo ser...vou experimentar fazer isso...exercícios espirituais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-754744576003339434?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/10/o-post-de-um-e-o-comentrio-de-outro.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-2710096189750624558</guid><pubDate>Tue, 30 Oct 2007 12:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-30T11:13:35.890-02:00</atom:updated><title>Consciência da fatalidade</title><description>Parece ser da fatalidade tudo aquilo que está atrelado a algum acontecimento, aquilo que é imanente e que não permite fuga. Não confundir a fatalidade com a tragédia. Nem toda fatalidade é trágica.  Há uma linha tênue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, toda civilização produz a sua doença, a sua barbárie. Toda civilização carrega em si uma fatalidade. Também todo homem. Nós estamos sempre providos de meios para a degradação. Fabricação autêntica, participativa de nosso destino, manufaturada pelas nossas mãos, independente de todo erro e acerto. Não confundir a fatalidade com a tragédia. Em Édipo elas se confundem. No destino trágico sucumbe o homem, o herói, mas há um ganho de humanidade. O homem supera a sua dimensão ao criar para si uma nova consciência sobre a vida. Uma consciência trágica, mas não fatalista. O homem é transformado pela vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa civilização não possui ares trágicos. O homem contemporâneo não tem uma dimensão maior de sua vida. Dimensão maior não quer dizer algo metafísico, além mundo. A consciência trágica é e se vale no próprio mundo. Ela é positiva, dá à vida a sua verdadeira medida, se valendo da dor e do limite. Não sei se uma consciência fatalista é positiva. Mas, certamente, possuímos a nossa consciência da fatalidade - será? - que agora mesmo estamos criando. O que ela nos ensina? E quais são as barbáries que fabricamos? O nosso câncer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-2710096189750624558?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/10/conscincia-da-fatalidade.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-831192838094961552</guid><pubDate>Tue, 23 Oct 2007 19:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-25T17:45:22.981-02:00</atom:updated><title>Uma escrita confessional</title><description>Os movimentos do pensamento nos pregam algumas peças. Ou será o inconsciente ainda, que mesmo atropelado pelo razão, nos atravessa? Bem. Hoje acordei e a primeira coisa que escrevi foi o seguinte: "Não vejo mais muita graça no escrever para confessar. Quanto mais a escrita se aproxima da confissão mais ela se aproxima da culpa. O papel torna-se padre. A escrita a reza. Afastar a escrita desse ponto. O mais interessante é quando a dor não mais fala, não mais se escreve para simplesmente dizer um sofrimento, e sim quando ela ultrapassa a dor mais individual para entrar na dor do mundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a prova de que às vezes não estamos na altura do nosso pensamento, que escrevemos uma coisa e vivemos exatamente o contrário, foi reler tudo o que escrevi hoje (pouparei vocês de tais confissões ridículas...). Também não ficamos todo o tempo dentro de nossa própria vertigem. Nos traímos. E o que escrevi hoje ao longo do dia ficou cheirando a confessionário! A prova irrefutável foi, já de noite, eu ter me interessado em reler alguns trechos da "Consciência de Zeno". E o livro é de uma escrita confessional! Zeno é aquele que, mandado pelo seu psicanalista, escreve a história de suas dores para resolver os seus problemas. A escrita pode e deve mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que ponto, podemos nos perguntar, a confissão da escrita, ou a escrita do divã se assemelha àquela confissão cristã? O divã é o Deus moderno? Deus é um grande divã? A quem a culpa se dirige no divã? Não entendo nada de psicanálise para responder a tais questões. Mas creio que a escrita, a literatura pode ir além das próprias dores de um indivíduo. A literatura é a escrita da dor do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-831192838094961552?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/10/uma-escrita-confessional.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-8925780548521992779</guid><pubDate>Tue, 23 Oct 2007 11:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-25T18:24:06.154-02:00</atom:updated><title>Dos problemas de se ler</title><description>Tem personagens que são tão fortes que não aguentamos a sua vertigem. São tão densas e constantes as inúmeras metamorfoses que ele sofre, é tão variada e sutil a gama de experiências que ele sente, que não conseguimos acompanhar com firmeza o seu devir. O acontecimento é bem maior do que nós. E mesmo se esse personagem expõe exatamente isso - alguém que não está no nível do acontecimento que a vida lhe dá - nós não conseguimos. O tempo de que é feito um personagem não é o mesmo de que nos servimos para lê-lo. Então, algo escapa. Ele, mesmo caminhando em passos lentos, tem o seu processo em andamento. E nós, de quanto tempo precisaremos para realmente sentir e entender um personagem em seu limite? Muito tempo. E a vida ainda não está pronta para a vertigem que o ser quer ter. Mas isso é bom. E a vertigem será um dia retomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses livros assim, não se pode também bobear. Qualquer consciência frouxa pode colocar tudo a perder. O livro exige um acompanhamento de médico na Uti. É pelo intensivo que o livro nos pega. Se não estiver em tal clima proposto, sente-se náusea (nada de Sartre por aqui), as palavras marulham, e se vomita o livro por não aguentá-lo, ou por comê-lo em certo tempo indevido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refiro-me aqui a leitura de "A maça no escuro", da Clarice Lispector. A vertigem foi tanta que o abandonei na página 170, na metade. Não consegui acompanhar o seu processo. Um pouco de culpa minha talvez, mas em sua maioria foi pela grandeza do livro. Voltarei a ele brevemente. Mas será que essa leitura pela metade foi em vão? Duvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-8925780548521992779?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/10/dos-problemas-de-se-ler.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5268144207519555965.post-1989839219265610972</guid><pubDate>Mon, 22 Oct 2007 11:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-25T17:30:24.737-02:00</atom:updated><title>Uma amizade</title><description>À amizade devo a elaboração e manutenção daquilo que mais quero: Escrever. Devo porque ela me convoca para a escrita, devo porque ela não cessa de me levar para o lugar em que mais amo estar, mesmo quando às vezes creio menos nesse lugar e no que de mim pode habitar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no nosso caso, podemos dizer que o nosso encontro é escasso materialmente. Mas o que é um encontro? Um encontro é também uma idéia, um sentimento que a gente margeia, penetra. Assim, podemos nos encontrar quando não há corpo. Assim, o encontro se dá fora do tempo e do espaço, ultrapassando aquilo que há de mais básico na realidade. Assim nos encontramos com Cervantes, Shakespeare, como também com aquela pessoa que mora longe, e mesmo aquela que nem conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é um amigo senão aquele que encontramos e que nos faz caminhar com mais leveza e alegria um certo caminho? A escrita é o nosso caminho. Caminhemos então juntos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5268144207519555965-1989839219265610972?l=texturaincidental.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://texturaincidental.blogspot.com/2007/10/uma-amizade.html</link><author>noreply@blogger.com (de Castro)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item></channel></rss>